Estamos em processo de montagem de um novo trabalho, com Tuca Pinheiro, e ao que tudo indica, será com foco no público infantil. Tem uma frase, dita por Sávio Tarso e também é uma música, que está no norteando, nos fazendo queimar a mufa: ‘voar com gaiola e tudo’. Pensamos muito nesta frase durante a semana que estivemos em Itacaré, dentro da VI Edição do Festival de Dança de Itacaré. Talvez porque o Centro Cultural Porto de Trás, diferente de tantos outros que conhecemos, esteja inserido dentro de uma comunidade periférica e é frequentado basicamente pelas pessoas da comunidade, em sua maioria crianças? Talvez por Itacaré ser uma cidade, a princípio, tipicamente turística? Ou por este festival ser um dos poucos que ainda prezam pelo encontro com outro e que, de fato, possibilita que o artista possa se ausentar de sua cidade, por uma semana e ali assistir, conversar, dançar e viver dança? Não sei, talvez seja por todos estes fatores que são possíveis devido a ação de Verusya Correia e toda sua equipe, que sim, têm feito a diferença ali em seu quintal plantando esta semente aonde de repente jamais seria plantada. Fato é que o sentimento de pertencimento, pelo centro cultural, da comunidade local é notório e este, o centro cultural, os acolhe e recebe. Sabemos bem o que é produzir um evento de dança fora dos grandes centros possibilitando aos convidados a oportunidade de vivenciarem todo o encontro. Principalmente neste momento sócio econômico, político e ético que passa o Brasil e em que todos os festivais do país, que sempre tiveram seu olhar para fora, agora devido à escassez de recursos, volta seu olhar para o artista local: ‘vamos realizar uma ação conjunta, um encontro de parceiros, pois o evento é nosso’. Sim, precisamos encontrar nossos pares e, como dito aqui em Ipatinga, por uma pensadora ‘é nestas ações fora dos grandes eixos, nos interiores deste país que se encontra a solução, que estão nossos aliados, que a dança revolucionará. É nestes lugares que se encontra o entendimento da real importância de um evento como este para sua comunidade, não só como uma vitrine de grandes espetáculos, mas que percebem o poder de transformação do lugar e das pessoas que ali vivem. Nunca foi fácil e nunca será, mas voltar de Itacaré depois de vivenciar, conhecer pessoas, sentir a dança nos alimenta, nos dá tesão e um desejo latente e a certeza de continuar. Muito obrigado Verusya e a toda sua equipe, Arionilson Xixito, Miquiba Cruz, Valmilson Pericles, Pawlo Cidade, Gilmar Silva, Carla Caio Mussolin, Lucia Kobayashi, Fabiana Eggert, Aloísio Ferreira, Vera Rabelo e a todos os outros pelo carinho e receptividade. Um grande abraço também em todos os colegas artistas, técnicos que fizeram parte desta programação. Vida longa ao festival.