Espetáculos e oficina serão realizados dentro do Enartci – Encontro de Dança Contemporânea de Ipatinga, nos dias 6 e 7 abril. Depois segue para Nova Lima, Belo Horizonte, Uberaba e Uberlândia.

“Quanto mais você olhar para a mesma coisa mais o significado vai embora” é o novo trabalho solo da belga Dorothé Depeauw onde ela estabelece, para si mesma, um conjunto de regras e procedimentos a partir do qual ela tece um espetáculo interativo a respeito do “nada”. A partir de conceitos expostos nas duas conferências de John Cage Lecture on Nothing e Lecture on Something, ela retrabalha questões que sempre lhe foram caras em seu trabalho enquanto coreógrafa e dançarina/performer. O solo circula por cinco cidades mineiras até junho deste ano e abre sua temporada em Ipatinga nos próximos dias 6 e 7 de abril, dentro do Enartci. Na, quarta-feira, no Espaço Hibridus, dorothé ministrará uma oficina gratuita que pretende trabalhar ferramentas coreográficas presentes neste trabalho, ás 14h. Já na quinta-feira, 7 de abril, no teatro Zélia Olguin, às 16h ela apresenta seu solo para estudantes e às 20h aberto ao público.

Contemplado no Prêmio Artes Cênicas de Minas Gerais para sua circulação, com realização da Mangrove-Tentactile e Governo de Minas Gerais, o trabalho convida de forma não invasiva o público a participar do processo de criação ao mesmo tempo transferindo sua responsabilidade de julgamento ( note que não há julgamento negativo). Como o julgamento negativo nega a possibilidade de algo acontecer no futuro, a razão de eliminá- lo é criar um espaço onde algo – ou nada possa acontecer sem que este julgamento os impeça.

O solo se desdobra a partir de impulsos fornecidos pela artista ou por membros do público. Os impulsos do público não são necessariamente intervenções ativas e conscientes, segundo dorothé pode ser uma mudança de posição, alguém que chega atrasado, um olhar, entre outros. Ao longo de toda a apresentação, a dançarina faz um esforço contínuo de registrar mentalmente tudo que acontece na performance, desde os próprios movimentos a movimentações do público, silêncios, arranjos no espaço cênico…

Dorothé conta que o título do trabalho “Quanto mais você olhar para a mesma coisa mais o significado vai embora” foi inspirada de uma tradução livre da frase do autorAndy Warhol. “Uma reflexão que iniciou a partir do pensar na repetição dos movimentos e que depois foi evoluindo para algo muito maior. O hábito nos faz isso, cada coisa que aprendemos vira uma outra coisa porque o corpo já gravou”, propõe.

O resultado é um espetáculo íntimo com forte proximidade do público na qual este também goza de grande liberdade. Liberdade de dar sentido, agir/não agir e onde ocorre uma quebra da distância usual nas artes cênicas. Não somente a distância física, mas aquela continuamente instituída onde é o artista que proclama/ensina e o público que recebe. Aqui não se ensina nada. Ou como disse John Cage: ” I have nothing to say and Iam saying i t”. Este trabalho teve uma pré-estreia no teatro Marília, em Belo Horizonte, durante a 1º Mostra de Novos Coletivos, em 2015. Mas Dorothé considera essa circulação como a estreia oficial deste trabalho.

Dorothé Depeauw ___________________________________________________________

Artista independente com sede em Belo Horizonte (Brasil), trabalhando predominantemente em contextos de dança e performance, as obras de dorothé são em grande parte estruturado em processos colaborativos. Seus trabalhos como coreógrafa foram apresentados em diferentes países tais como Bélgica, França, Brasil, Colômbia, Escócia. Entre eles estão: INSCRICAO MEMORIA RASURA (2014) – !CO LAPSE KODE (2012) – KALEIDOSCOPE (2009)– LA BOITE A SARDINES (2013) – LA FILLE SIGNEE (2007).

Além desses trabalhos ela colaborou com vários artistas, coreógrafos e companhias, incluindo Marc Vanrunxt, Florence Augendre, David Hernandez, Filip Van Huffel, Bayens Jeroen, Roos van Geffen, Sonia Si Ahmed & Maya Dalinsky, Stefan Prins, Matthias Koole, Constant vzw, An Mertens, Liselot Jansen, Cristiane Oliveira, Henrique Iwao, Dudude Hermann, Cia. Meia Ponta, Thembi Rosa e Dança Multiplex, Manuel Guerra e Adriana Banana.

Foi professora de dança em vários escolas e companhias: Cia do Palácio das Artes (Belo Horizonte), Centro Cultural Ambiente – Cia Meia Ponta (Belo Horizonte), Maison des cultures de Molenbeek (Bruxelas) e Ten Noey (Bruxelas). dorothé se formou na Royal Academy of Dance of London (1999), a Academia de Esch / Alzette, Luxemburgo (2001) e na Hogeschool voor Dans – HID em Antwerpen, Bélgica (2006). É fundadora da Cia.Mangrove-Tentactile (Bruxelas- Belo Horizonte) cujas atividades são organizadas em torno de colaboração entre performance/dança e outras disciplinas artísticas, trabalhou no espaço multidisciplinar Georgette Zona Muda em Belo Horizonte e, como diretora artística do FID – Fórum Internacional de Dança em Belo Horizonte na edições 2014 e 2015.

Ficha técnica______________________________________________________________________
Criação, direção e performance: dorothé Depeauw
Iluminação: Daniel Bollara
Figurino e assistência de produção: Flávi a Fantini
Arte gráfica: Ana Bahia
Produção: Matthias Koole e Mangrove- Tentactile
Realização: Mangrove- Tentactile o Governo de Minas Gerais
Apoio: Pessoa Conteúdo e Relacionamento

SERVIÇO__________________________________________________________________
“Quanto mais você olhar para a mesma coisa mais o significado vai embora”
Data: 6 e 07 de abril
Cidade: Ipatinga – Dentro do ENARTCI – Encontro de Dança Contemporânea de Ipatinga
Oficina
Data: 6 de abril, as 14h

creditoFoto_Magali_Daniaux(CC BY-SA) Di Kartola