18 pessoas em uma casa de 3 quartos e duas salas numa fazenda a beira de um lago nos arredores de São Paulo. Frio do cão, tempo fechado, pilhas de pão, sacos de laranja, pacotes de café, garrafas de vinho e um movimento quase constante na cozinha. Cobertores e banheiros disputados a tapa.

Penso no big-brother-puta-que-pariu, a situação de uma convivência escolhida, mas não imposta, sem o milhão do final, o glamour nacional e aquele sorriso cafajeste do Pedro Bial.

Tensão, defesa, justificativa, planos, duvidas, corpo, dança, teoria, pratica, pesquisa, referencias, não sei, não sei, não sei, talvez.

Marina, a bailarina argentina, fala de acidentes de percurso como fator de agregação e transformação de uma situação. Sal do bolo.

It is love, it is love, it is love that i’m feeling toca em um sonzinho no canto da sala, sofás se reorganizam no espaço, corpos exaustos em horas de deambulações.

Me pergunto ate que ponto somos responsáveis pelo tédio do outro.

Uma menina conta de como se apaixonou pela dança depois de se apaixonar por uma menina que dança. Canela como uma especiaria.

Olhares se cruzam sem saber como se resolver. Impasse.

Hey, hey, hey, what’s going on e’ a próxima do set list improvisado.

Estamos sem internet e isso obriga a nos organizarmos de outra maneira. O isolamento paira no ar na escuridão da noite assustadora. Cantiga de grilo e sapo na orquestra afinada da natureza.

Voce so conhece uma pessoa quando come um quilo de sal com ela.

Marcelo Evelin