Emergência é o processo de formação de modelos complexos a partir de regras simples. Este pode ser um processo dinâmico (ocorrendo através do tempo), como a evolução do cérebro humano através de milhares de gerações sucessivas; ou a emergência pode ocorrer em escalas de tamanhos diversos, como as interações entre um número macroscópicos de neurônios produzindo um cérebro humano capaz de pensar (mesmo pensando que neurônios indivíduas não tem consciência própria). Para um fenômeno ser nomeado emergente ele deve geralmente ser inesperado e imprevisível por uma descrição simples. Geralmente o fenômeno não existe ou existem apenas alguns traços no nível mais baixo. Assim, um fenômeno direto como a probabilidade de achar uma uva seca em uma fatia de bolo geralmente não requer a teoria da emergência para ser explicada. Pode ser no entando útil considerar a emergência da textura do bolo como um resultado complexo do processo de cozimento e mistura dos ingredientes.
Não há consenso entre os cientistas sobre como a emergência deve ser utilizada como explicação. Não parece possível decidir completamente quando um fenômeno deve ser classificado como emergente, e mesmo nos casos onde esta classificação é aplicada ela raramente explica o fenômeno de modo profundo. De fato, nomear um fenômeno como emergente é muitas vezes usado pela falta de outra explicação melhor.
Um comportamento emergente ou propriedade emergente pode aparecer quando uma quantia de entidades (agentes) simples operam em um ambiente, formando comportamentos complexos no coletivo. A propriedade em si é comumente imprevisível e imprecendente, e representa um novo nível de evolução dos sistemas. O comportamento complexo ou as propriedades não são a propriedade de nenhuma entidade em particular, e eles também não podem ser previstos ou deduzidos dos comportamentos das entidades em nível baixo. O formato e o comportamento dos bando de pássaros é um bom exemplo de um comportamento emergente.
Uma razão pela qual o comportamento emergente ocorre é o número de interações entre os componentes de um sistema, que aumenta combinatóriamente com o número de componentes, então permitindo potencialmente que uma série de novos e diferentes tipos de comportamentos apareçam. Por exemplo, as possíveis interações entre grupos de moléculas crescem enormemente com o número de moléculas de modo que é impossível para um computador contar o número de arranjos possíveis mesmo para um sistema com apenas 20 moléculas.
Por outro lado, apenas a existência de um grande número de interações não é o suficiente para garantir o comportamento emergente; muitas das interações podem ser previsíveis ou irrelevantes, e muitas podem cancelar as outras. Em alguns casos, um grande número de interações pode de fato trabalhar contra a emergência de comportamentos interessantes, criando uma grande quantidade de “ruído” que elimina qualquer “sinal” emergindo; o comportamento emergente pode precisar ser temporariamente isolado de outras interações antes de ter massa crítica o suficiente para poder se auto-suportar. Portanto não é apenas o número de conexões que encoraja a emergência; também deve ser considerado o modo como estas conexões estão organizadas. Uma organização hierarquica é um exemplo que pode gerar um comportamento emergente (um burocrata pode agir de um modo diferente do resto da população que não é burocrata); mas talvez mais interessante, o comportamento emergente pode também surgir de estruturas organizacionais mais descentralizadas, como no mercado. Em muito casos, o sistema tem que alcançar um nível de diversidade, organização e conectividade antes do comportamento emergente ocorrer.
Sistemas com propriedades emergentes podem parecer não seguir os principios da entropia e a segunda lei da termodinâmica, pois eles se formam e crescem independente da falta de um comando ou controle central. Isto é possível porque sistemas abertos podem extrair as informações do seu ambiente.
A emergência ajuda a explicar porque a falácia da divisão é uma falácia. De acordo com a perspectiva emergente, a inteligência emerge das conexões entre os neurônios e, desta perspectiva, não é necessário propor uma “alma” para sustentar o fato de que os cérebros podem ser inteligentes, mesmo pensando que os neurônios individuais que o compõe não o são.
O comportamento emergente também é importante nos jogos e em sua criação. Por exemplo, o jogo do poker, especialmente nas formas sem limite, sem uma estrutura rígida, é largamente controlado por um comportamento emergente. Por exemplo, nenhuma regra requer que nenhum jogador dobre, mas geralmente a maioria dos jogadores o fazem. Devido ao jogo ser regido pelo comportamento emergente, jogar em uma mesa de poker pode ser completamente diferente de jogar em outra, enquanto as regras do jogo são exatamente as mesmas. Variações de jogos que se desenvolvem são exemplos da emergência, onde a catálise predomina na evolução dos jogos.
Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Emergencia – consultado em 24/09/2009